Quando me perguntam por que escolhi a urologia, gosto de dizer que essa decisão foi resultado de uma mistura entre paixão pela cirurgia e uma vontade imensa de trilhar um caminho diferente dentro da medicina. Não venho de uma família de médicos. Minha escolha pela medicina foi completamente pessoal, fruto de sonhos e de uma vontade sincera de fazer diferença na vida das pessoas.
A medicina sempre me fascinou, mesmo antes de compreendê-la por completo. Ainda adolescente, admirava profundamente os profissionais da saúde e a capacidade que eles tinham de cuidar, curar e transformar vidas. Foi essa admiração que, aos poucos, se tornou uma escolha profissional.
O início de tudo: medicina, descobertas e paixões inesperadas
Minha formação médica começou na então chamada Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas, hoje conhecida como Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Quando entrei na faculdade, acreditava que seguiria por alguma especialidade clínica, mas tudo mudou muito rápido. Ainda no segundo ano, me encantei completamente com a cirurgia. Fiz estágios, vivi o dia a dia de um centro cirúrgico e percebi que era ali que meu coração pulsava mais forte.
A urologia entrou na minha vida de forma definitiva logo depois. E não demorou para que eu decidisse: era aquilo que eu queria fazer pelo resto da vida. Mas havia um detalhe: no Rio Grande do Sul, naquele momento, existiam apenas cinco mulheres urologistas.
Durante o curso, percebi como o universo da urologia era tão vasto quanto desconhecido para a maioria das mulheres. Não apenas como profissionais, mas também como pacientes. Os temas que envolvem o aparelho urinário e o sistema reprodutor masculino, em geral, eram vistos como "território masculino", e isso apenas reforçava minha vontade de atuar nessa área, para desmistificá-la e torná-la mais acessível.
Uma escolha corajosa: ser mulher na urologia
Para chegar à urologia, o caminho não é simples. Primeiro, fiz dois anos de residência em cirurgia geral. Depois, prestei prova e fui aprovada para a residência em urologia na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Foi lá que finalizei minha formação e me tornei, com orgulho, a sexta mulher urologista do estado.
Passaram-se 20 anos desde essa decisão, e a realidade ainda é desafiadora. Hoje, nós mulheres representamos apenas 13,5% do total de urologistas no Brasil. Mesmo contando residentes em formação, somos cerca de 300 urologistas mulheres em todo o país. E o mais curioso é que, embora o acesso à informação esteja mais amplo e a presença feminina tenha crescido em diversas áreas da medicina, a urologia ainda é vista com certa estranheza quando exercida por mulheres.
Mas existe um grupo especial que me dá muito orgulho de fazer parte: as Orquídeas. Esse é o nome carinhoso que recebemos, em referência a uma flor que cresce em ambientes inóspitos e se destaca pela sua resiliência. E nós somos exatamente assim.
Nosso grupo nasceu no Rio Grande do Sul, e hoje nos encontramos em congressos, mantemos contato por WhatsApp, trocamos experiências e discutimos casos clínicos. Mais do que uma rede profissional, somos uma rede de apoio. Compartilhamos alegrias, vitórias e também as dificuldades que ainda enfrentamos simplesmente por sermos mulheres nessa especialidade. Além disso, o grupo também serve como um importante canal para incentivo e acolhimento de jovens médicas que estão iniciando na urologia. Juntas, construímos um espaço onde somos ouvidas, valorizadas e fortalecidas.
Preconceito e admiração: a visão dos colegas e dos pacientes
Uma pergunta que escuto com frequência é: “os pacientes têm preconceito em consultar com uma urologista mulher?”. E a resposta pode surpreender: não, os pacientes são, em sua maioria, muito respeitosos e receptivos. Muitos inclusive escolhem ser atendidos por uma mulher, sentindo-se mais confortáveis.
O verdadeiro desafio ainda está entre os colegas de profissão. Infelizmente, o preconceito velado (e por vezes, nem tão velado) ainda é presente. Casos de desrespeito, subestimação ou piadas inconvenientes ainda acontecem, mesmo em pleno século XXI. No grupo das Orquídeas, compartilhamos algumas dessas experiências, muitas vezes chocantes, mas também nos apoiamos para superá-las e seguir adiante com força.
Mais do que preconceito, o que enfrentamos é um desafio sistêmico de reconhecimento e igualdade de oportunidades. Existem barreiras silenciosas: convites que não chegam, indicações que não acontecem, espaços que não se abrem. E é justamente por isso que precisamos nos posicionar, ocupar esses lugares e mostrar nossa competência, nossa dedicação e o quanto somos essenciais para o futuro da urologia.
Acredito muito no poder do exemplo. Sempre que participo de eventos, dou aulas ou atendo jovens estudantes interessadas na medicina, faço questão de mostrar que é possível, sim, construir uma carreira sólida, respeitada e admirada mesmo em especialidades tradicionalmente masculinas. Ser pioneira exige coragem, mas também abre portas para outras mulheres brilhantes que estão por vir.
Conclusão
Minha história com a urologia é uma mistura de paixão, coragem e persistência. Não foi um caminho fácil, mas certamente foi uma escolha que me preenche todos os dias. A medicina é uma vocação, e a urologia, para mim, é mais que uma especialidade: é um compromisso com a excelência, com o cuidado humano e com a transformação de realidades.
Que mais mulheres possam descobrir e se apaixonar por essa especialidade. Que tenham coragem de desafiar estigmas, buscar conhecimento e fazer história. A urologia precisa de diversidade, de visões diferentes, de sensibilidades complementares. E nós, mulheres urologistas, estamos prontas para contribuir com tudo isso.
Esta postagem é completamente original, criada a partir do nosso próprio vídeo, referenciada em informações da internet e aprimorada com tecnologia de inteligência artificial.
Perguntas frequentes
1. Por que escolheu a urologia?
Me encantei pela cirurgia ainda na faculdade e, ao conhecer a urologia, tive certeza de que era essa a minha paixão.
2. Há muitas mulheres na urologia?
Infelizmente, ainda somos poucas. Representamos cerca de 13,5% dos urologistas no Brasil.
3. Os pacientes têm preconceito com urologistas mulheres?
Na maioria das vezes, não. Muitos pacientes preferem ser atendidos por uma mulher.
4. Onde está o maior preconceito?
Infelizmente, entre os colegas de profissão, ainda há muito o que evoluir nesse aspecto.
“Mesmo hoje, em pleno século XXI, ainda vemos casos de preconceito com mulheres na urologia. São histórias reais, divididas entre colegas, que nos mostram o quanto ainda precisamos resistir.”
Análise complementar, com base na internet:
Presença feminina na urologia brasileira: dados recentes
Um levantamento publicado pelo International Brazilian Journal of Urology revelou que, de um total de mais de 4.600 urologistas registrados na Sociedade Brasileira de Urologia, apenas 125 eram mulheres. Esses dados reforçam o desequilíbrio expressivo na representatividade feminina na especialidade. O estudo também destaca que, além da baixa participação, há uma escassez de pesquisas voltadas à compreensão dos motivos que afastam as mulheres da urologia, apontando para uma necessidade urgente de iniciativas que promovam inclusão, apoio e visibilidade para essas profissionais. Leia o artigo completo.
A urologia é menos feminina no Brasil do que em outros países?
Segundo estudo publicado na Revista da Universidade de São Paulo (USP), o crescimento da presença feminina na urologia brasileira entre 2013 e 2018 foi um dos mais baixos entre 53 especialidades analisadas. A pesquisa aponta que, mesmo com o aumento da participação feminina na medicina de forma geral, a urologia continua sendo uma das áreas menos procuradas por mulheres. Fatores como estereótipos de gênero, falta de referências femininas e percepção equivocada sobre a atuação na especialidade contribuem para esse cenário. O estudo propõe a ampliação de programas de mentoria, divulgação de histórias inspiradoras e eventos voltados à inclusão como forma de incentivo às futuras gerações. Veja o estudo na íntegra.
O movimento das "Orquídeas" e seu impacto na urologia
A iniciativa do grupo conhecido como "Orquídeas" representa um marco na organização e fortalecimento das urologistas no Brasil. De acordo com um artigo publicado no AUANews, o grupo atua como rede de apoio, fórum de discussão clínica, intercâmbio de experiências e, principalmente, como espaço de acolhimento. Com um número crescente de participantes, as Orquídeas também têm promovido debates em eventos nacionais, estimulando o reconhecimento e o empoderamento feminino dentro da urologia. O artigo ainda ressalta que a representatividade feminina na urologia não deve ser apenas uma questão estatística, mas uma pauta permanente para evoluirmos como sociedade médica. Conheça mais sobre as Orquídeas.
